segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Budoka - Kisshomaru Ueshiba


A seguir as palavras do Dôshu (superior) do Aikido, Kisshomaru Ueshiba, filho do fundador Morihei Ueshiba, sobre o que é um verdadeiro Budoka:

“Os que conhecem realmente o Budô têm um porte solto, dando a impressão de serem suaves e gentis. Os que confiam no Budô não fanfarroneiam nem fazem alarde, e seu comportamento é sempre agradável e alegre. Externamente, manifestam delicadeza; internamente, possuem uma grande força. Na vida diária, são despretensiosos e modestos, e suas ações são naturais, nunca forçadas. Mostram-se como são, vivendo natural e espontaneamente. Este é o retrato do verdadeiro estudante de artes marciais.”

UESHIBA, Kisshômaru. O Espírito do Aikidô. São Paulo: Editora Cultrix, 2007, pg. 109.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Jibun de Narai - 自分で習い



Certa vez tive contato com uma frase que me fez rever todos os conceitos que tinha sobre educação e aprendizado, que dizia: “O professor não ensina, mas sim, disponibiliza o conhecimento”.
Tendo em conta que um professor pode ser qualquer ser, animado ou inanimado, físico ou abstrato, e que a cada passo podemos nos deparar com algo que nos transmita um ensinamento, considerar que o conhecimento está ao nosso redor e basta captura-lo não se transforma em algo de difícil entendimento.


Numa das traduções poetizadas do Shikin Haramitsu Dai Komyou encontramos a consideração de que o conhecimento é peça fundamental para o nosso crescimento: “Todo conhecimento é sagrado e fornece a chave para um mundo melhor”, o que de fato pode oferecer muitas possibilidades para nossa vida.
Primeiramente gostaria de apresentar algumas considerações sobre “conhecimento”. A palavra Shikin, do Shikin Haramitsu, possui caracteres japoneses que se referem às sensações e percepções dos sentidos. Todas estas sensações e percepções são absorvidas por nossas seis vias de entrada (Rokkon – 六根) que são: olfato, audição, paladar, tato, visão e percepção mental.

Deste ponto de vista, o conhecimento é mais do que apenas um substantivo sobre “saber algo”, como se o ato de conhecer fosse passivo. Entendendo que para este conhecimento é necessário a participação dos seis sentidos, deduzimos que conhecer é experimentar, ou seja, uma ação que vem de quem experimenta até o que é experimentado.

A concepção usual de conhecimento pode ser um pouco enganosa, levando-nos a entender que o conhecer é uma ação que vem do que se conhece até quem está conhecendo, um fluxo contrário ao que acabamos de entender. Portanto, a relação entre conhecedor e o que se conhece é uma relação ativa ao invés de passiva.
Ao invés de utilizarmos a palavra “conhecimento”, gostaria de apresentar uma alternativa em japonês que acredito encaixar-se de forma mais adequada às nossas finalidades: Taiken - 体験.

A palavra taiken é utilizada com o significado de “experiência”, porém, uma experiência ativa e que depende do indivíduo e seu próprio corpo. Tai (体), que também poder ser lido como karada, significa corpo e Ken (験), que poder ser lido como tamesu, significa ‘testar, provar’.

Conhecer, na sua forma mais pura, significa experimentar com seu próprio corpo, entrar em contato de fato com o fenômeno que se pretende conhecer. Sem o contato entre os seres não há troca de energias que complementarão o aprendizado. É por este motivo que a prática em grupo é uma prática extremamente importante.

Entendendo que para conhecer algo, na forma mais pura, é necessário a experiência (ou experimentação, como gosto de colocar), voltemos à questão do “ensinar”.

Apesar de estarmos todos ligados, o corpo de cada ser é único, responsável pela absorção de sensações de cada indivíduo. Por este motivo, transmitir seu próprio conhecimento (experiência) para outro indivíduo é uma tarefa impossível. Não há possibilidade de transmissão das experiências de vida, afinal as experiências foram absorvidas com aquele corpo por aquele indivíduo.

Somente se a experiência (taiken) do indivíduo que aprende experimentar de forma similar a experiência (taiken) do indivíduo que ensina que o “aprender” estará se realizando de fato. Com isso, o ato de aprender depende principalmente do ato de experimentar de cada indivíduo.

Como exemplo podemos pensar no ato de aprender matemática: O professor sabe realizar os cálculos aritméticos que pretende ensinar aos seus alunos pois já os vivenciou e praticou com suas próprias mãos. Os alunos somente saberão de fato quando houver ‘taiken’, ou seja, a experiência do corpo. Com isso, mesmo os conhecimentos abstratos como conceitos filosóficos, só serão aprendidos quando houver o exercício e a experiência mental.

Quando existe a disposição de um professor em ensinar, esta oportunidade deve ser agarrada com toda força para que possamos o máximo a por meio de nossas próprias forças. O conhecimento está ali, já está vivenciado pelo professor, basta a dedicação de nossa parte em exercitar o máximo possível.

É isto que chamo de ‘jibun de narai’ (自分で習い), ou seja, “aprender por conta própria”. Apesar de esta frase significar algo como “aprender sozinho” (o que não é real, pois dependemos de muitas variáveis para isto), gosto de usá-la devido ao kanji Jibun (自), que pode ser lido mizukara, e representa o próprio indivíduo.

Portanto, vamos nos empenhar em aprendermos por nós próprios, com nossos próprios esforços algo que nos é ensinado, pois é a única forma de absorvermos de coração.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Taiko e o Zen

Há um tempo fui convidado por um amigo a escrever um artigo sobre Taiko relacionando-o com o Zen.
Gostaria de compartilhar com vocês, pois acredito na similaridade de conceitos quepodemos atribuir à nossa prática marcial.

http://www.felipetamashiro.com/

confiram na sessão de artigos.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Curta Bem Legal

Ola Pessoal Bom dia!!!!
tinha comentado com algumas pessoas sobre um curta muito bom, que teve como participação o Dojo do Alex A. Furquim.
Espero que todos gostem, pois está realmente perfeito!!!!
grande abraço a todos.

http://vimeo.com/9197385


Bufu ikkan


Raoni Rehder

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Musha Shugyou -  武者修行


Ter a possibilidade de viajar e conhecer outros espaços é uma oportunidade única. Mesmo que para locais próximos uma viagem requer um determinado esforço e certos sacrifícios. Acredito que é justamente por estas abdicações que uma viagem pode abrir caminhos para novas experiências e conhecimentos.
No universo tudo está em constante movimento, num fluxo contínuo de criação e destruição, ordem e caos. Não podemos manter algo armazenado por muito tempo que logo sua forma já não mais será a mesma. Se estivermos apegados a forma, quando chegar o momento de sua transformação ou decadência, sentiremos o sofrimento no coração.



A tradução da palavra shugyou (修行) é “busca do conhecimento, estudo, aprendizagem, formação, práticas ascéticas, ascética, prática da disciplina”, que é composta por dois kanji (ideogramas):

修 ‘shu’ (da palavra: 修める osameru) que pode ser traduzido como “estudar, completar (um curso), cultivar, dominar, dar ordem (a vida)”, ou também como “conduzir-se bem”.

行 ‘gyou’ (da palavra: 行く iku) que é traduzido como “ir, ir para uma jornada”.

Desta forma, podemos entender a palavra shugyou como “ir para uma jornada de estudos” ou “conduzir-se bem por uma jornada”. Neste ponto, necessitamos refletir sobre o que é conduzir-se bem por uma jornada de estudos.

Além das questões óbvias sobre ética e respeito com diferentes locais, culturas e maneiras de uma região que não é a sua, percebo que para entregar-se à este tipo de jornada para estudos  são necessários alguns cuidados.

Como havíamos percebido é necessário uma “entrega”, um “sacrifício” de certas coisas que provavelmente resultará num desconforto e incômodo. Uma viagem requer dormir fora de sua casa, longe de suas coisas, da alimentação com que está acostumado, as vezes num idioma que não é o seu e com costumes que você não reconhece. Tudo isso gera dor e sofrimento nublando nosso caminho e dificultando nossa busca.

É necessário matarmos à nós próprios para que o caminho (道 michi) nos conduza de maneira natural, pelo próprio fluxo da natureza (自然お流れ shizen no nagare), abrindo assim espaço suficiente para absorvermos as novas experiências e os novos conhecimentos que dificilmente veríamos em uma mente nublada pelo apego.

Não podemos esquecer também que esta jornada de estudos é uma ação e que consequentemente resultará numa reação posterior, o que chamamos de Karma. Da mesma forma que em uma receita de bolo juntamos ingredientes, misturamos condimentos, preparamos as formas e colocamos em uma situação apropriada para que todas aquelas escolhas anteriores produzam algo que nunca poderíamos imaginar, estas ações de sacrifício e empenho produzirão outras ações, como uma enorme rede que liga tudo e todos.
A partir desta observação, apresento uma segunda forma de se escrever a palavra shugyou:

修業, composto do mesmo primeiro caractere修 ‘shu’, como na tradução anterior e trocando o segundo caractere para 業 ‘gyou’, que possui duas leituras:

わざ (waza): que significa “ação, ato ou desempenho do trabalho”.
ごう (gou): que é a palavra japonesa para ‘karma’.

Portanto, podemos entender ‘shugyo’ como sacrificar nossos apegos em jornada de estudos e busca de conhecimento para dar ordem à nossa vida, nos conduzindo de maneira adequada e refletindo sobre cada ação que fazemos, de coração aberto para os resultados pesteriores.

Acredito que o ‘shugyou’, independente da natureza da prática (no nosso caso: ‘musha’, dos guerreiros) é uma das maneiras de nos entregarmos para o fluxo natural do universo.

Shidoshi-ho Giuliano Di Sevo
Seigi Dojo

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Taki Shugyou

Olá amigos!

Espero que todos tenham passado bons momentos nesta virada de ano.

Gostaria de convidar todos os praticantes e amigos a uma caminhada no Núcleo do Engordador do Parque Estadual da Cantareira.

Realizaremos o passeio no dia 8 de janeiro, com saída as 7h da manhã.

Aos interessados, por favor, entrar em contato (seigidojo@gmail.com) para mais informações.

Conto com a presença de todos!

Bufu Ikkan

sábado, 31 de dezembro de 2011

明けましておめでとう

Caros companheiros!


Gostaria de agradecer do fundo do meu coração por estes laços que nos ligam nesta misteriosa rede que é a vida.
Este ano foi de uma importância inexprimível para minha vida. Agradeço ao meu grande amigo e eterno mestre Márcio, pela confiança e pela disposição e paciência em me apresentar o verdadeiro Budo. Agradeço à cada um, dos mais velhos aos mais novos, a presença de corpo e coração nos treinos do Seigi Dojo.

Somo todos, independente do grupo, da arte, da cidade, país ou planeta, parte de um todo maior repleto de ligações.
Fluímos de acordo com o Bufu que trás ventos de todos os tipos ao nosso caminho. Quanto a isso, só nos resta abrir o coração para as experiências sem julgarmos e classificarmos. Tudo está no caminho e o caminho está em tudo.

Que no ano do dragão possamos desfrutar e compartilhar do calor da vida com o máximo de pessoas possíveis através do Budo.

本当にありがとうございました。
来年もよろしくおねがいします。
心で道を歩いて自然になる。

武風三界

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