Desenvolvida por povos que habitavam regiões montanhosas do Japão essa milenar arte marcial originou-se da necessidade de sobrevivência constante a esse tipo de meio ambiente.
Com o passar das eras, essa cultura evoluiu e adquiriu uma identidade muito própria desenvolvendo uma grande variedade de atividade e métodos: filosofia, previsão climática e de terremotos, sobre vivência, topografia, estratégia, manipulação de elementos medicinais, combate desarmado, técnicas com diversas armas, acrobacia, exploração geográfica, etc.
Os ninjas viviam em comunidades fechadas e eram bem organizados por hierarquias constituídas de agentes de infiltração, comandantes e líderes de comunidades.
O conhecimento, um bem precioso, era passado de geração em geração por muitas vezes somente através de ensinamentos verbais e constantes treinos.
O ninja que se vê atualmente em filmes por muitas vezes estereotipado como um assassino sombrio e até mitológico, nem de longe é parecido com o que realmente existiu. Ele era um ser consciente e em perfeito equilíbrio com o meio ambiente, pois dele dependia sua sobrevivência. É certo que por muitas vezes senhores feudais contratavam ninjas para suas demandas, contudo, estes só aceitavam ser requisitados quando por ideologia acreditavam e defendiam a causa pela qual entrariam em missão.
terça-feira, 16 de julho de 2013
quarta-feira, 18 de julho de 2012
A vida com sabedoria
Uma vida com sabedoria pode ser encarada sob duas perspectivas:
Interiormente, é caracterizada pela serenidade, alegria, atenção e liberdade. Ao experimentar uma sensação agradável a mente não é embriagada ou deludida por ela. Quando privada de confortos, a mente permanece firme, inabalável e imperturbável. A felicidade e o sofrimento não estão mais empossados em objetos externos.
O nível externo é caracterizado pela fluência, eficiência, flexibilidade e liberdade de complexos incômodos e delusões.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Sobre competições – O ganhar e perder
Podemos encontrar com facilidade escolas de artes marciais,
métodos de combate e academias especializadas em criar e preparar atletas de
alto nível para diversos tipos de competições. Algumas em métodos específicos, já
outras mesclando várias vertentes marciais para esta finalidade.
Quando um novo praticante da Bujinkan entra em contato com o
Ninjutsu, muitas vezes acaba no questionamento sobre competições e torneios.
Uma dúvida natural num mundo onde boa parte do Budô moderno acabou
transformando-se em esporte.
Pensar em competições e campeonatos requer pensar muito mais
do que apenas preparação, vitória ou derrota. Esta colocação necessita de
reflexões muito mais profundas sobre o próprio ser humano e sua própria vida
para que entendamos este conceito.
Lutar e combater são atividades enraizadas no homem desde
sempre. A continuidade de sua vida, obviamente, dependia de evitar a morte o
que muitas vezes tornava o combate inevitável. Ora lutar pelo alimento, ora
lutar pela sobrevivência ou pelo país, desta forma, o combate sempre esteve
intimamente relacionado com a vida e a morte, algo muito mais complexo e sério
que aparenta se pensarmos apenas na questão da competição.
Atualmente não há mais a necessidade de combater pela
sobrevivência, a modernização transformou o Bujutsu (técnica marcial) em Budô
(Refinação espiritual pelas artes marciais), consequentemente modernizando o
antigo combate de vida e morte em um jogo com regras e limites para a saúde dos
participantes.
Tanto Bujutsu quanto Budô (que na realidade não estão
separados, mas sim, um contém o outro) proporcionam às pessoas a possibilidade
de uma prática de refinamento físico, mental e espiritual, além dos ganhos em
saúde e coordenação motora. E no meu entender, esta refinação do Sangai (三界 –Três mundos:
corpo, mente e espírito) requer o entendimento da relação
interdependente entre os seres e a real harmonia com o universo.
Acredito que um Budôka com um treinamento empenhado e de
coração é capaz de compreender a ligação entre os seres, a unidade que envolve
o universo e a fragilidade da língua e da mente dual. Talvez, este Budôka
compreenda que bonito e feio, dentro e fora, forte e fraco são apenas
separações teóricas e duais de uma realidade diferente.
Ganhar em um campeonato significa a satisfação de um e o
sofrimento de outro, tanto no âmbito físico quanto no âmbito mental. O perdedor
que sofre está ligado ao vencedor, portanto o sofrimento também é deste segundo,
e da mesma forma a vitória também é do sofredor.
As famílias ganham e perdem junto, os times ganham e perdem
e o resto do universo ganha e perde ao mesmo tempo. O conceito de ganhar e
perder cai por água abaixo e se desfaz, perdendo a força e não dando conta de
abarcar o mundo real. Assim, a ilusão de vitória ou derrota preenchem a mente
dos competidores.
O competidor entusiasmado em vencer, iludido por esta
dicotomia, atinge a vitória e canta sobre o sofrimento do parceiro. Porém a
vitória impermanente se esfacela e preenche o coração do vitorioso mais uma vez
com angústia, agora ainda mais cego pela ilusão da vitória.
O Budôka não enxerga a realidade por meio das lentes da
vitória ou da derrota, mas sim se utiliza do Bujutsu e a sua prática para
desenvolver o Sangai e consequentemente buscar a evolução conjunta do universo.
O Budôka não está separado de todo o universo assim como todo o universo não
está separado do Budôka.
A única luta com que o Budôka deve se empenhar em vencer é a
luta contra suas próprias ilusões, contra seu próprio ego que busca a vitória
ao invés da derrota, o belo ao invés do feio e a vida ao invés da morte.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
O Budoka - Kisshomaru Ueshiba
A seguir as palavras do Dôshu (superior) do Aikido, Kisshomaru Ueshiba, filho do fundador Morihei Ueshiba, sobre o que é um verdadeiro Budoka:
“Os que conhecem
realmente o Budô têm um porte solto, dando a impressão de serem suaves e
gentis. Os que confiam no Budô não fanfarroneiam nem fazem alarde, e seu
comportamento é sempre agradável e alegre. Externamente, manifestam delicadeza;
internamente, possuem uma grande força. Na vida diária, são despretensiosos e
modestos, e suas ações são naturais, nunca forçadas. Mostram-se como são,
vivendo natural e espontaneamente. Este é o retrato do verdadeiro estudante de
artes marciais.”
UESHIBA, Kisshômaru. O
Espírito do Aikidô. São Paulo: Editora Cultrix, 2007, pg. 109.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Jibun de Narai - 自分で習い
Certa vez tive contato com uma frase que me fez rever todos
os conceitos que tinha sobre educação e aprendizado, que dizia: “O professor
não ensina, mas sim, disponibiliza o conhecimento”.
Tendo em conta que um professor pode ser qualquer ser,
animado ou inanimado, físico ou abstrato, e que a cada passo podemos nos
deparar com algo que nos transmita um ensinamento, considerar que o
conhecimento está ao nosso redor e basta captura-lo não se transforma em algo
de difícil entendimento.
Numa das traduções poetizadas do Shikin Haramitsu Dai Komyou encontramos a consideração de que o conhecimento é peça fundamental para o nosso crescimento: “Todo conhecimento é sagrado e fornece a chave para um mundo melhor”, o que de fato pode oferecer muitas possibilidades para nossa vida.
Primeiramente gostaria de apresentar algumas considerações
sobre “conhecimento”. A palavra Shikin, do Shikin Haramitsu, possui caracteres
japoneses que se referem às sensações e percepções dos sentidos. Todas estas
sensações e percepções são absorvidas por nossas seis vias de entrada (Rokkon –
六根) que são: olfato, audição, paladar, tato, visão e
percepção mental.
Deste ponto de vista, o conhecimento é mais do que apenas um
substantivo sobre “saber algo”, como se o ato de conhecer fosse passivo.
Entendendo que para este conhecimento é necessário a participação dos seis
sentidos, deduzimos que conhecer é experimentar, ou seja, uma ação que vem de
quem experimenta até o que é experimentado.
A concepção usual de conhecimento pode ser um pouco
enganosa, levando-nos a entender que o conhecer é uma ação que vem do que se
conhece até quem está conhecendo, um fluxo contrário ao que acabamos de
entender. Portanto, a relação entre conhecedor e o que se conhece é uma relação
ativa ao invés de passiva.
Ao invés de utilizarmos a palavra “conhecimento”, gostaria
de apresentar uma alternativa em japonês que acredito encaixar-se de forma mais
adequada às nossas finalidades: Taiken - 体験.
A palavra taiken é utilizada com o significado de
“experiência”, porém, uma experiência ativa e que depende do indivíduo e seu
próprio corpo. Tai (体), que também poder ser lido como karada, significa corpo
e Ken (験), que poder ser lido como tamesu, significa ‘testar,
provar’.
Conhecer, na sua forma mais pura, significa experimentar com
seu próprio corpo, entrar em contato de fato com o fenômeno que se pretende
conhecer. Sem o contato entre os seres não há troca de energias que
complementarão o aprendizado. É por este motivo que a prática em grupo é uma
prática extremamente importante.
Entendendo que para conhecer algo, na forma mais pura, é
necessário a experiência (ou experimentação, como gosto de colocar), voltemos à
questão do “ensinar”.
Apesar de estarmos todos ligados, o corpo de cada ser é
único, responsável pela absorção de sensações de cada indivíduo. Por este
motivo, transmitir seu próprio conhecimento (experiência) para outro indivíduo
é uma tarefa impossível. Não há possibilidade de transmissão das experiências
de vida, afinal as experiências foram absorvidas com aquele corpo por aquele
indivíduo.
Somente se a experiência (taiken) do indivíduo que aprende
experimentar de forma similar a experiência (taiken) do indivíduo que ensina
que o “aprender” estará se realizando de fato. Com isso, o ato de aprender depende
principalmente do ato de experimentar de cada indivíduo.
Como exemplo podemos pensar no ato de aprender matemática: O
professor sabe realizar os cálculos aritméticos que pretende ensinar aos seus
alunos pois já os vivenciou e praticou com suas próprias mãos. Os alunos
somente saberão de fato quando houver ‘taiken’, ou seja, a experiência do
corpo. Com isso, mesmo os conhecimentos abstratos como conceitos filosóficos,
só serão aprendidos quando houver o exercício e a experiência mental.
Quando existe a disposição de um professor em ensinar, esta
oportunidade deve ser agarrada com toda força para que possamos o máximo a por
meio de nossas próprias forças. O conhecimento está ali, já está vivenciado
pelo professor, basta a dedicação de nossa parte em exercitar o máximo
possível.
É isto que chamo de ‘jibun de narai’ (自分で習い),
ou seja, “aprender por conta própria”. Apesar de esta frase significar algo
como “aprender sozinho” (o que não é real, pois dependemos de muitas variáveis
para isto), gosto de usá-la devido ao kanji Jibun (自), que
pode ser lido mizukara, e representa o próprio indivíduo.
Portanto,
vamos nos empenhar em aprendermos por nós próprios, com nossos próprios esforços
algo que nos é ensinado, pois é a única forma de absorvermos de coração.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Taiko e o Zen
Há um tempo fui convidado por um amigo a escrever um artigo sobre Taiko relacionando-o com o Zen.
Gostaria de compartilhar com vocês, pois acredito na similaridade de conceitos quepodemos atribuir à nossa prática marcial.
http://www.felipetamashiro.com/
confiram na sessão de artigos.
Gostaria de compartilhar com vocês, pois acredito na similaridade de conceitos quepodemos atribuir à nossa prática marcial.
http://www.felipetamashiro.com/
confiram na sessão de artigos.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Curta Bem Legal
Ola Pessoal Bom dia!!!!
tinha comentado com algumas pessoas sobre um curta muito bom, que teve como participação o Dojo do Alex A. Furquim.
Espero que todos gostem, pois está realmente perfeito!!!!
grande abraço a todos.
http://vimeo.com/9197385
Bufu ikkan
Raoni Rehder
tinha comentado com algumas pessoas sobre um curta muito bom, que teve como participação o Dojo do Alex A. Furquim.
Espero que todos gostem, pois está realmente perfeito!!!!
grande abraço a todos.
http://vimeo.com/9197385
Bufu ikkan
Raoni Rehder
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